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Que tipo de empreendedor é você?

Empresários "viciados" em abrir negócio vão de site evangélico a lotérica

O tipo de negócio pode ir de um extremo a outro, porque o que importa para eles é empreender. Motivados pelo desafio, os chamados empreendedores seriais (que abrem vários negócios) não se contentam com a rotina de uma empresa já estabelecida. Preferem se desapegar e deixá-la na mão de outras pessoas, desde que isso abra caminho para iniciar um novo projeto.

UOL ouviu três empresários com esse perfil. O economista Israel Salmen já abriu de site gospel a portal caça-descontos, passando por uma corretora de ações. O engenheiro mecânico Sérgio Kulikovsky se especializou em abrir e vender empresas de tecnologia. Já o administrador Mauricio Catelli gosta de apostar em diferentes negócios como casa lotérica, imobiliária e empresa de TI. 

Mineiro empreende desde os 13 anos

 

Israel Salmen, do Méliuz

Aos 26 anos, o mineiro Israel Salmen já iniciou quatro negócios. Ele começou a empreender informalmente aos 13, fazendo sites. Aos 15, criou um site com fotos de eventos evangélicos junto com um primo mais velho.  Em um ano, a Galeria Gospel estava fotografando eventos em Belo Horizonte (MG), Governador Valadares (MG), Guarapari (ES) e João Pessoa (PB).

Aos 17, ele se mudou de Governador Valadares para Belo Horizonte, para se preparar para o vestibular, e deixou a empresa com o primo. Aos 19, abriu uma corretora de investimentos com um colega da faculdade. O trabalho estressante e a dificuldade em agradar os clientes do mercado financeiro o desmotivaram, ou melhor, o animaram a iniciar outra empreitada.

Em 2011, vendeu a corretora e abriu seu negócio atual, o site Méliuz, que oferece cupons de desconto para compras em lojas parceiras. "O foco tem que estar na motivação e não no produto. O produto deve ser uma consequência de algo que você quer fazer, que gera benefícios para outros. Ele é um mero coadjuvante", declara.

Empresário já está no sétimo negócio

 

Sérgio Kulikovsky, da Acesso

Sérgio Kulikovsky, 44, está em sua sétima empresa de tecnologia. "O que mais gosto é da fase do planejamento e de colocar a empresa no mercado", diz. Sua trajetória como empreendedor começou em 1998, com a NetTrade, corretora de ações online. Depois, ajudou a fundar a certificadora digital Certisign, a empresa de pagamentos online Boldcron e a loja de jogos Banana Games, que foram vendidas.

Entre os insucessos, estão uma editora para livros eletrônicos e uma empresa de consultoria em telecomunicações. Atualmente, ele preside a Acesso, empresa que emite e gerencia cartões pré-pagos. "Vender a empresa é algo que está sempre no meu radar, mas eu não trabalho com esse foco e, sim, em torná-la competitiva", declara.

Diversificando investimentos

 

Mauricio Catelli, da Imper

Mauricio Catelli, 47, administra a imobiliária Imper, em São Paulo, fundada por seus pais há 40 anos, mas criou a Imper USA, que vende imóveis nos EUA para brasileiros, a CAS Tecnologia, de engenharia de sistemas e automação, e foi dono de lotérica no final dos anos 90.

"Eu trabalho pensando na continuidade dos negócios, exceto no caso da lotérica, que eu pretendia que fosse por tempo determinado. Mas o que mais me motiva é ver resultados de ações novas e inovadoras", afirma.

Inquietude motiva, mas falta de foco pode ser problema

Cynthia Serva, coordenadora do Centro de Empreendedorismo do Insper, diz que o empreendedor serial é inquieto e está sempre atento às oportunidades de negócio que possam surgir. "Ele é uma pessoa dinâmica que gosta de desafios. Quando o negócio chega na estabilização, em que o papel dele é gerir, ele fica desmotivado. Ou ele monta equipes para isso ou vende e parte para outra."

Para Renato Fonseca, gerente do Sebrae-SP (Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa de São Paulo), o desafio dos empreendedores seriais é a falta de foco. "A pressa em iniciar negócios pode fazer com que ele não consolide nenhum. Além disso, é importante que ele tenha métricas para acompanhar a empresa e faça cobranças periódicas, mesmo se deixar a administração para outros."

Uma pesquisa feita pela Endeavor, organização não governamental de apoio ao empreendedorismo, levantou seis tipos de empreendedores no Brasil; entre eles estão o empreendedor nato, o situacionista, o que quer ficar rico, o idealista, o que faz as coisas do próprio jeito e o herdeiro.

EMPREENDEDOR NATO: é aquele que vê oportunidades de negócio onde outros não veem, segundo João Melhado, pesquisador da Endeavor; otimismo, autoconfiança e coragem são as características mais marcantes desse perfil; "O empreendedor nato coloca suas ideias em prática desde cedo, seja vendendo picolé para completar a renda familiar ou assumindo responsabilidades na empresa onde trabalha", diz

SITUACIONISTA: é o perfil de empreendedor mais comum no Brasil, de acordo com o pesquisador da Endeavor; algum fator externo precisa motivar o situacionista a ter o negócio próprio, empreender não é um desejo natural dele; "Esse perfil é o oposto do nato, é menos otimista, autoconfiante e protagonista. Se a oportunidade não 'cair no colo' dele, jamais será um empreendedor", afirma 

BUSCA DO MILHÃO: são os empreendedores que abrem o negócio próprio com o objetivo de ficar rico; em geral, é formado por jovens de 25 a 34 anos, segundo Melhado; "Aqui, a maior motivação é ganhar dinheiro e o empreendedor pode partir para um ramo do qual não gosta ou não tenha afinidade por acreditar que seja rentável. Porém, nem sempre é", declara

IDEALISTA: é otimista, corajoso e tem o desejo de mudar o mundo, de acordo com Melhado; ao contrário dos que buscam o milhão, o dinheiro deve ser a consequência de um trabalho que provoque impacto social; "Para o idealista, o lucro é menos importante. O principal objetivo é criar um negócio que traga benefícios para a sociedade ou melhore a vida de um grupo de pessoas", afirma 

MEU JEITO: tem o jeito próprio de fazer as coisas, não gosta muito de seguir regras e repassa crenças pessoais para o negócio, diz o pesquisador da Endeavor; "Esse é um empreendedor que tem maneiras diferentes de lidar com funcionários, tende a ser mais flexível do que a média dos chefes e dificilmente trabalha em algo em que não acredite"

HERDEIRO: as características empreendedoras ou o próprio negócio são herdados da família; os empreendedores desse perfil se caracterizam por terem se preparado para assumir a empresa e, quando estão no comando, colocam em prática o que aprenderam com os pais e em escolas de negócios, segundo Melhado 

http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2014/12/10/empresarios-viciados-em-abrir-negocios-tem-de-site-gospel-a-loterica.htm#fotoNav=7

 

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